O governo Lula (PT) destinou R$ 80 milhões para propagandas sobre o fim da escala 6×1, quando seis dias de trabalho são seguidos de um dia de descanso. (Foto ilustração)
A proposta de redução de jornada é uma aposta eleitoral do petista, com reflexo no tamanho da campanha. O valor é o dobro da propaganda feita em 2025 sobre a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 por mês, medida que aliados de Lula (PT) avaliam ter tido impacto abaixo do esperado nas projeções de voto.
A verba foi usada pela Secom (Secretaria de Comunicação Social) para produzir a campanha com o mote “tempo com a família”, lançada no começo de maio. Aprovada pela Câmara na quarta-feira (27), a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala ainda precisa ser aprovada pelo Senado.
A campanha pelo fim da escala 6×1 ainda é quase duas vezes maior que os R$ 45 milhões direcionados para promover a nova edição do Desenrola Brasil, que prevê renegociação de dívidas.
Um dos vídeos da propaganda afirma que discussões anteriores sobre direitos trabalhistas foram alvos de oposição. “Contra cada uma delas, disseram que o Brasil ia quebrar. Não quebrou e direitos foram garantidos”, diz o vídeo do governo.
O vídeo ainda se contrapõe ao discurso de que a mudança na jornada trará prejuízo econômico: “Trabalhadores descansados produzem mais, cometem menos erros, duram mais nos empregos. Um país exausto não cresce”.
A peça principal termina com o slogan “é o governo do Brasil do lado do trabalhador, do lado do povo brasileiro”.
Em nota, a Secom afirma que não existe previsão de ampliar os valores das propagandas pelo fim da escala 6×1 e do Desenrola. “Em ambas as ações, a veiculação abrangerá múltiplos meios de comunicação, indo além da TV e da internet”, diz a pasta.
Verba para propaganda
Como a Folha mostrou, a verba para propaganda do governo atingiu, no último ano, o maior valor empenhado desde 2017, cerca de R$ 1,5 bilhão. A Secom consumiu a principal fatia (R$ 924 milhões), enquanto o resto foi utilizado principalmente pelo Ministério da Saúde.
O orçamento de 2026 prevê menos despesas com publicidade, cerca de R$ 1,44 bilhão.
A Secom define temas das propagandas que deseja veicular e direciona a verba para as agências contratadas pelo governo. Cerca de 5% a 10% do valor é aplicado na produção de vídeos, banners e outras peças. O volume restante serve para compra de anúncios em veículos de mídia, redes sociais e outros meios.
De forma geral, quanto mais cara é a campanha, maior será o espaço comprado pelas agências para divulgá-la.
O governo Lula ainda ampliou de cerca de 20% para mais de 30% a fatia de gastos com campanhas publicitárias na internet. Com a mudança, o recurso destinado para Google e Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp) superou pela primeira vez, no ano passado, o valor em anúncios pagos para as redes de televisão do SBT e da Band.
No último ano, o governo usou a verba publicitária para divulgar, entre outras ações, o slogan “Brasil Soberano”, os programas Gás do Povo e Agora Tem Especialistas, além da ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000.
Os valores das campanhas publicitárias não são detalhados no Portal da Transparência. O site mostra de forma genérica quanto cada agência recebeu. A Secom tem um portal próprio com informações sobre a distribuição dos anúncios, mas com atualização lenta.
A Folha levantou os custos de parte das propagandas a partir de informações registradas em notas de empenho no Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira) e de dados obtidos junto a fontes que acompanham a execução das campanhas federais. Os valores foram confirmados depois pela Secom. (Com informações da: Folhapress)