O sindicalista licenciado e pré-candidato a deputado federal Deyvid Bacelar (foto ilustração) defendeu nesta sexta-feira (26/6) a criação de uma bancada de trabalhadores e trabalhadoras na Câmara dos Deputados para contrapor os interesses de grandes empresários e de representantes do agronegócio no Congresso Nacional a partir de 2027. “Temos hoje uma Câmara dos Deputados com 513 cadeiras. Dessas, 400 são ocupadas por empresários, latifundiários e representantes do agronegócio”, explicou. “Precisamos avançar com pautas importantes para a nossa classe e convencer as pessoas para que tenhamos mais representantes nossos nesses grandes espaços de decisão política”, frisou.
A ideia de uma bancada composta por representantes dos trabalhadores consiste, segundo Bacelar, na formação de um grupo suprapartidário de deputados e senadores com origem, mandato ou compromisso direto com a classe trabalhadora: sindicalistas, professoras, enfermeiras, metalúrgicos, agricultores familiares, servidores públicos. “No Brasil já existiu a bancada sindical dos anos 80/90 que elegeu Lula, Vicentinho, Jandira Feghali. Mas hoje está pulverizada”, ressaltou.
Para Deyvid, é preciso trazer para o centro das discussões temas como a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), a valorização do salário mínimo, o direito à creche, a saúde do trabalhador e a regulamentação do trabalho por aplicativo. “Hoje são os empresários que definem os grandes temas a partir de uma única ótica, que é a pauta econômica. Com a criação de nossa bancada, seremos 50 ou 100 deputados votando juntos, em bloco, e derrubando propostas de retrocesso trabalhista”.
Bacelar lembrou que foi graças às atividades da bancada sindical que foram garantidos direitos diversos na Constituição promulgada em 1988, como o direito a 40h semanais, 13º, FGTS, licença-maternidade de 120 dias e a política de valorização real do salário mínimo.
“Entre 2011 e 2014, a PEC das Domésticas garantiu alguma dignidade pra seis milhões de mulheres, com o trabalho intenso da bancada feminina e sindical. Em 2017 e 2019 foram evitadas várias tentativas de fim da contribuição sindical e ataques à aposentadoria”, lembrou Bacelar.
Deyvid integra o grupo de futuros parlamentares que, eleitos, pretendem garantir a valorização real do salário mínimo, o fim da escala 6×1, com redução da jornada sem corte de salário, a tarifa zero no transporte público. Outros temas que pretende trazer ao centro do debate é a implantação de creche tempo integral 0-3 anos e de escola integral, o combate ao assédio, a luta contra o feminicídio, a saúde mental no trabalho, a defesa da previdência rural e da creche tempo integral do campo, o sistema PAIS na agroecologia, e combate intensivo ao trabalho análogo à escravidão.
“Um Congresso sem bancada de trabalhadores vira Congresso de banco, agro e igreja. Com a nossa bancada, o chão de fábrica, a escola e a creche vão entrar no orçamento”, destacou o sindicalista. Deyvid disse ainda que Brasília só vai mudar quando os representantes daqueles que estão no chão de fábrica, na roça, na escola e na creche ocuparem a tribuna. “Eu me comprometo a atuar nessa bancada suprapartidária com aqueles que defendem o trabalho digno”.